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Fumo passivo eleva risco cardiovascular em crianças e jovens

RACHEL BOTELHO
Folha de S.Paulo

O fumo passivo pode afetar a saúde das artérias bem mais cedo do que se acredita. Crianças e adolescentes que moram com pessoas fumantes já apresentam, em consequência, um espessamento das paredes dos vasos, conforme revela uma pesquisa finlandesa publicada no periódico "Circulation". Até este momento, esse efeito da exposição à fumaça do cigarro não havia sido estudado em menores de 18 anos.
Em novembro, o Centro para o Controle e Prevenção de Doenças publicou um artigo relatando que bebês concebidos através da FIV (fertilização in vitro), ou com uma técnica na qual os espermatozóides são injetados diretamente nos óvulos, têm um leve aumento no risco de vários defeitos congênitos, incluindo um buraco entre as duas câmeras cardíacas, lábios ou palatos fissurados, um esôfago desenvolvido de forma inadequada e má-formação retal. O estudo envolveu 9.584 bebês com defeitos de nascença e 4.792 sem tais distorções. Entre as mães dos bebês sem defeitos, 1,1% havia usado FIV ou métodos relacionados, em comparação a 2,4% das mães de bebês com deformidades congênitas. As descobertas são consideradas preliminares, e pesquisadores acreditam que a FIV não envolve riscos excessivos. Existe 3% de chance de qualquer bebê ter um defeito de nascença.

A pesquisa envolveu 494 crianças de oito a 13 anos. Os cientistas mediram vários parâmetros que avaliam a saúde das artérias e verificaram que, nas pessoas expostas ao cigarro, os indicadores eram piores.
Ainda assim, mesmo que os riscos aparentem ser pequenos, estudiosos da biologia molecular de embriões que se desenvolvem em placas de Petri afirmam desejar uma maior compreensão sobre o processo desenvolvido ali. Assim, poderiam melhorar o procedimento e permitir aos casais tomarem decisões mais bem-informadas. "Existe um consenso crescente na comunidade clínica sobre a existência de riscos", disse Richard M. Schultz, da Universidade da Pensilvânia. "Agora, cabe a nós descobrir quais são os riscos e se podemos fazer algo para minimizá-los."
Os participantes foram divididos em grupos conforme os níveis de cotinina encontrados no sangue --esse subproduto da nicotina é o principal marcador para exposição à fumaça.
Um exame de ultrassom mediu o espessamento da aorta e da carótida. Os resultados da análise mostram que as crianças com mais cotinina no sangue tinham paredes das carótidas 7% mais espessas, em média, do que aquelas com níveis mais baixos da substância.

A aorta dos integrantes do grupo exposto à fumaça de cigarro mostrou-se 8% mais espessa, em média. A flexibilidade das artérias do braço --ou fluxo da artéria braquial--, outro parâmetro da saúde dos vasos e do risco cardiovascular, mostrou-se 15% inferior nos adolescentes com níveis mais altos de cotinina. O colesterol desses pesquisados também estava elevado.

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